Sócio e não sócio

Toda decisão tomada dentro da democracia trabalhista envolvida os trabalhadores deve ser debatida e votada entre a classe. E a FINDECT vai sim trazer essa discussão de valorização do sócio dos sindicatos.

Esta ainda não é uma decisão já formada. Diálogo entre quem concorda e quem discorda, captação de sugestões e o voto sobre o assunto serão realizados diversas vezes até o fim das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho deste ano e pode ser que nada mude ou que muito mude.

Hoje, os sindicatos e o ACT representam todos os trabalhadores. Além da responsabilidade descrita em leis, era muito forte e consolidado que o imposto sindical obrigatório (o valor equivalente a 1 dia de trabalho descontado por ano de todos os trabalhadores) levava também à obrigação dos sindicatos de garantir os direitos de todos. Em resumo, os trabalhadores eram obrigados a contribuir e os sindicatos eram obrigados a lutar por todos.

Porém, a reforma trabalhista, da qual todos os sindicatos foram contrários nesse item, mas os trabalhadores não se importaram de sair para a luta, deixou aberta a discussão de que o trabalhador não tem mais obrigação imposta com o sindicato e que o sindicato também não tem mais obrigação imposta com o não sócio.

A FINDECT defende que as decisões de assembleias devem valer para todos. Mas o que se viu como resultado das assembleias sobre imposto sindical foi uma enxurrada de críticas contra os sindicatos, diversas manifestações por escrito de que as federações e sindicatos não os representam e que não aceitam vínculo com o sindicato. Os trabalhadores não entenderam que isso tem consequências pesadas na nova legislação. O acordado é maior que o legislado e o que o trabalhador escreve tem poder individual muito maior do que antes para si.

A representação de todos os trabalhadores continua com os sindicatos. Sócios e não sócios são representados dentro da categoria profissional pela sua entidade sindical, no caso de Correios os sindicatos de seus estados ou regiões. Já no caso do trabalhador que recusa essa representação ao não se associar ao sindicato, fica implícito que este não aceita aquilo que está e estará decidido nos fóruns da categoria e nas assembleias dos sindicatos. Não existe lógica alguma no sócio fazer sacrifício financeiro todo mês de pagar a mensalidade do sindicato, o não sócio recusar colaborar com o imposto sindical, além de escrever e dizer que o sindicato eleito não o representa e daí usufruírem dos mesmos benefícios.

O sócio faz o sacrifício todo mês para financiar a luta e tem de ser valorizado por isso.

Esse é o texto inicial do assunto que com certeza vai gerar polêmicas e debates, como deve ser mesmo, entre os trabalhadores. Repetindo o já dito, nada está decidido ainda sobre o assunto, mas este com certeza será um tema importante a ser debatido entre os trabalhadores.

O próximo texto, nos próximos dias, abordará: O não sócio que vai para as greves deve ser integrado aos próximos benefícios do acordo coletivo de trabalho? Já adianto que, minha opinião atual, é que sim pois este faz sacrifício com os demais grevistas, as vezes superior ao imposto sindical e declara ao ir para a greve que acredita na luta dos trabalhadores. No próximo texto explico sobre isso.

Dúvidas e sugestões, enviar mensagem para Wilson Araújo, Diretor de Postal e Logística da FINDECT

(98) 98413 1703

 

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