OPINIÃO: Luta no Correios, caminhoneiros e repúdio à intervenção militar

Neste momento, um duro resgate do que tem ocorrido deve ser feito, pois sindicatos e federações não podem ficar calados nos temas. E não podem ficar calados porque no silêncio dos sindicatos e federações sempre aparecem outras ideias e opiniões, completamente distorcidas da realidade geralmente contra os trabalhadores.

Para começar, o Sindicato de Correios do Maranhão (SINTECT MA) e FINDECT sempre estiveram em todas as lutas desde que a nova gestão assumiu, a menos de 2 anos atrás no estado. E não foi somente através de textos e folhetos entregues nas unidades, mas sim tanto o Sindicato quanto a FINDECT chamaram para a greve contra a reforma trabalhista e contra a terceirização (onde perdemos infelizmente), contra a reforma da previdência (onde até o momento temos vencido), contra o governo Temer e contra a gestão destrutiva do Kassab/Guilherme Campos (audiências públicas, greves, processos na justiça, visita a políticos, tudo tem sido usado pelo SINTECT MA e pela FINDECT contra os inimigos dos trabalhadores).

Principalmente as greves, mais de 3 greves gerais foram convocadas pela FINDECT e pelo sindicato do Maranhão. A última, contra a mudança abusiva no plano de saúde houve ação no edifício sede que pela primeira vez em décadas aderiu à greve. E  houve mobilização intensa também,  pois nenhum trabalhador maranhense pode dizer que não sabia da greve contra as mudanças no plano de saúde e por condições de trabalho. Todos sabem quem participou e quem não participou das lutas.

Porém, um comportamento condenável nos trabalhadores tem que ser dito e encarado. Parcela dos trabalhadores têm acusado sindicatos e federações de não estarem fazendo nada quando estes mesmos não foram às assembleias, não foram às greves, não foram às plenárias, furaram greves por folgas e ainda insistem dia e noite em dizer que sindicato e federações são para serem combatidos porque são fracos e de pessoas que não se venderam até agora mas vão se vender depois. Esse comportamento de quem não luta e ainda busca culpar quem está lutando é inaceitável!

Vejamos os últimos 30 dias. Greve geral no Maranhão foi ameaçada no fim de abril de 2018 em razão principalmente da falta de efetivo, da falta de conserto nos veículos e assembleia marcada para o dia 28 de maio para aprovar ou não greve em todo o estado do Maranhão. Nesse meio tempo, foi realizada celebração de festa dos trabalhadores com presença grande de funcionários e em respeito aos trabalhadores dessa vez sem a presença de políticos. Oportunidade essa em que os diretores escutaram os pedidos dos trabalhadores. Depois, foi chamada uma plenária com os trabalhadores de todo o estado para discussão dos temas que fossem importantes para a assembleia do dia 28 de maio e para discutir os itens da luta no acordo coletivo de trabalho deste ano que seriam levados ao congresso nacional da FINDECT.

Após isso, a maior delegação de trabalhadoras da história do Maranhão seguiu com parte da diretoria para o congresso da FINDECT para treinamentos e discussões sobre questões de Correios. Nessa mesma época a federação conquistou na justiça direito a férias para os trabalhadores também do Maranhão que a empresa não está respeitando mas tanto FINDECT quanto SINTECT MA já tomaram as medidas judiciais contra a ilegalidade da empresa.

Não é possível, que dentro de um prazo de 30 dias, onde até mesmo o conserto de veículos na regional do Maranhão, que foi um trabalho de pressão conjunta entre FINDECT e SINTECT MA buscando solução, esteja sendo apontado por parcela dos trabalhadores como omissão dos sindicalistas, quando na verdade foi mais um mês de intenso trabalho sindical defendendo a categoria.

Os caminhoneiros estão fazendo uma greve justa contra o governo, contra a política de reajuste de preço no dieesel e por melhores condições de trabalho para eles. Centrais sindicais, partidos políticos de esquerda, sindicatos e federações de trabalhadores todos têm emitido notas de solidariedade e apoio real na luta justa dos caminhoneiros, que inclusive estão sendo ameaçados pelo governo com o uso dos soldados e da polícia, como acontece nas greves nossas de trabalhadores.

E mesmo assim existem setores da sociedade que estão colocando sindicatos, partidos de esquerda, centrais sindicais e outros como inimigos.

Não concordamos de forma alguma com parcela da sociedade que pede intervenção militar e ataca sindicatos, partidos de esquerda e ao povo. Mesmo com erros em muitas áreas, o governo que sofreu golpe de traição destes mesmos que estão hoje no poder (sim, a traição ocorre quando se estava junto e um dos lados trai o outro) comprovou que era possível manter o preço não somente do dieesel baixo mas de todos os combustíveis. Gás de cozinha para nosso alimento, álcool e gasolina para os veículos, tinham todos preços congelados abaixo de R$ 3,00 e gás a menos de R$ 50,00.

Não foram os militares ou a ditadura que conseguiam isso. Era o projeto do povo que neste item estava sendo realizado e mesmo assim houve intensa crítica contrária, inclusive dos pobres e da classe média que mais sofrem hoje com os aumentos de preços após a traição do governo Temer.

Finalizando, chamamos os trabalhadores para irem sempre na luta. O SINTECT MA, de forma responsável, não se nega a fazer nenhuma luta, tendo realizado mais de 6 greves locais no último ano, todas com sucesso. Algumas custaram descontos nos salários dos trabalhadores, outras não, porém todas foram com atendimento no fim das pautas graças ao apoio da FINDECT e da luta dos trabalhadores.

Então, são necessários o exercício da auto crítica para que cada um avalie muito bem o que anda dizendo (é fácil arremessar pedras quando não se está envolvido de verdade na luta) e agir também em defesa de nosso SINTECT MA e de nossa FINDECT pois são instrumento de luta que tem trabalhado e muito em nossa defesa, diferente de em tempos anteriores onde a gestão anterior do sindicato e a outra federação sequer apareciam nas unidades. Greves então, não haviam de forma alguma (a não ser em campanha eleitoral é claro).

Vamos defender o que é nosso!

 

Texto de Wilson Araújo, Diretor de postal e  logística da Findect 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *