Meirelles diz que IPO é uma boa alternativa para Correios

Os Correios são, por princípio, um serviço público oferecido como direito à toda população, sem diferenças de classe ou de localidade. As ameaças de privatização agradam aos patrões e Empresas de capital estrangeiro, que buscam uma fatia gorda do mercado postal e encomendas no país.
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos resiste por mais de 300 anos e, nos últimos tempos, tornou-se alvo de administrações essencialmente políticas, que visam o sucateamento, com pretensão de sua venda. Os Correios são um patrimônio nacional. São a imagem de seus mais de 100 mil funcionários, que levam no peito, mais do que a Empresa, mas a ideia chamada Correios!

LEIA A NOTÍCIA PUBLICADA NESTA QUINTA-FEIRA, 21 DE SETEMBRO

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, confirmou nesta quinta-feira, 21, que uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) pode ser uma boa alternativa para os Correios, em uma fase prévia a uma privatização total.

Questionado se a operação poderia ser uma privatização ou um IPO, Meirelles disse que isso ainda está sendo estudado.

“As duas hipóteses estão contempladas e o IPO é uma boa alternativa, é sempre um primeiro passo”, afirmou.

Com um prejuízo de R$ 2 bilhões, os Correios está na mira para ser privatizado, mas existe uma resistência política em parte do governo. Há algumas semanas, uma fonte de alto escalão chegou a dizer à Reuters que, às vésperas de uma eleição nacional, não se podia falar em privatizar uma empresa “tão querida” dos brasileiros.

Na quarta-feira, 20, o ministro da Secretaria-geral da Presidência, Moreira Franco, defendeu também a privatização, alegando que a sociedade não pode manter uma empresa que é deficitária. A tendência maior dentro do governo é, nesse momento, optar pela abertura de capital da empresa.

“É uma coisa que estamos estudando com bastante profundidade, muito cuidado. Como a posição dos Correios, em vários aspectos, é monopolista, então a privatização tem que ser tratada com muito cuidado”, disse Meirelles.

Segundo o ministro, essa questão, no entanto, é cada vez “menos relevante” pelo fato de existiram cada vez mais serviços privados de encomendas altamente competitivos.

“Inclusive é mais uma coisa em termos favoráveis a uma privatização, em um setor mais competitivo e eficiente. No final o que interessa é o bom serviço à população e é isso que estamos esperando. Mas não é uma decisão tomada”, disse Meirelles.

Infraero

O ministro admitiu também que o governo estuda a privatização da Infraero, mas que essa negociação ainda não está “sobre a mesa”, mas afirmou que existe um movimento geral de privatização no governo.

“Isso é uma hipótese mas não estamos ainda em processo decisório, principalmente pela grande quantidade de aeroportos no país que são de cidades pequenas, cidades menores, que são deficitários.”, afirmou o ministro. “É um processo mais complexo, que não está na mesa, não é prioritário no momento. Agora, o movimento geral de privatização existe”.

Meirelles admitiu que as privatizações e concessões ajudam no caixa do governo e têm importância no curto prazo, mas não é o objetivo do governo.

“Sempre existe a geração de caixa, o que é positivo para o ajuste fiscal, mas agora não deve ser a prioridade. A prioridade deve ser garantir um bom serviço e investimento. Isso é o mais importante”, afirmou.

Reprodução: Agência Reuters

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