Institucional

O ano de 1978 foi marcado pela organização dos trabalhadores em Associações, uma vez que ainda não era permitido a organização em Sindicatos. Trabalhadores das mais diversas classes passaram a se reunir em associações e nos Correios não foi diferente. Ainda que mesmo as associações não tivessem a liberdade de fazerem suas reuniões abertamente, foi a estratégia para iniciarem com o embrião, que mais tarde se tornaria o Sindicato.
Os funcionários que entraram nos Correios em 1978, após serem aprovados no concurso realizado pela empresa, eram em sua maioria pessoas com formação em nível superior nas mais diversas áreas de formação, universitários, possuíam o Certificado de Ensino Médio Completo (Antigo científico), ou mesmo eram pessoas envolvidas com movimentos sociais e boa parte destes, moradores do bairro da Liberdade, conhecido na época por agregar vários segmentos sociais, como por exemplo o Movimento Palafitados, Pastoral da Juventude e outros ainda do Movimento Estudantil que era bastante atuante.
Era 1982 começaram as reuniões e discussões do movimento, ainda que timidamente e praticamente de forma clandestina, em torno da necessidade da organização de uma Associação e foram apoiados por grupos como a Comissão de justiça e paz e a Pastoral da Juventude. No ano de 1984 é fundada a Associação dos Servidores dos Correios do Estado do Maranhão, que era um embrião das demais que estavam surgindo por todo o país, como resultado da articulação dos trabalhadores nesse sentido.
Como resposta da Empresa a toda essa mobilização de trabalhadores, o ano de 1985 foi marcado por inúmeras demissões, como por exemplo toda a diretoria da Associação na época, que foi demitida com a clara intenção de desarticular o movimento que já tinha ganhado expressão, período em que houve diretor da Associação que chegou a ficar entre 1985 a 1990 demitido. Com a Constituinte, essa decisão foi revertida em favor dos trabalhadores dos Correios, (que foi a primeira categoria no país a ser anistiada) e em seguida bancários, ferroviários e outras. Vale lembrar, no entanto, que a anistia desses trabalhadores foi resultado da organização e articulação já existentes, não por causa do Governo.
O Correios foi a primeira empresa na história a fazer uma greve nacional de trabalhadores, no ano de 1985 graças a intensa mobilização dos trabalhadores e daí por diante, outras empresas e categorias apesar da intensa repressão.
Mais uma vez a onda de demissões assolou as diretorias de associações por todo o país, o que levou ao esfacelamento dessas associações. A partir daí, em 1988 com a Constituição aprovando a organização dos trabalhadores em Sindicatos, começaram a surgir os primeiros Sindicatos de trabalhadores pelo país. Embora fossem mais para “limpar a barra da empresa” e mostrar que a Constituição estava sendo cumprida.  Já era uma vitória, mas muito ainda havia a ser feito.
Mesmo com as diferenças ideológicas, partidárias, de opiniões e pensamento, o respeito tinha espaço e o bem comum era o que os impulsionava a continuar.
A partir da segunda gestão do Sindicato, a categoria passou a entender melhor o que significava ter um Sindicato que os representasse em suas demandas.

CFL
O Centro de Formação e Lazer foi criado em 1993, pensando não apenas na formação como o próprio nome diz, mas também no lazer dos empregados e sua família, como uma forma de os manter juntos e próximos e era o que acontecia. A intenção para a criação do CFL foi de que o servisse para a realização de treinamentos, cursos de formação e outros que agregassem algo mais ao trabalhador, trazendo assim mais conhecimento classista dos seus direitos, do seu papel.

Direção de Sindicato precisa de renovação
A essa altura o Estatuto arcaico e o regimento precisaram ser mudados, visando o bem-estar do trabalhador. E a máxima “uma base organizada é o poder” serviu para nortear os trabalhadores na luta por um Sindicato que luta com os trabalhadores e entende que precisa haver renovação, que ele não é cabide de emprego, não é a casa do trabalhador, nem propriedade privada ou mesmo cargo vitalício.

Conquistas ao longo das gestões
Ao longo das gestões, grandes conquistas foram alcançadas graças à luta dos trabalhadores através do Sindicato, como efetivação do PCCS, ampliação do plano de saúde para os familiares, compartilhamento da área de educação da empresa com os trabalhadores, o Postalis (Plano de previdência privada), criação de mais CDDs como o de Ribamar por exemplo, a contratação de mais carteiros e  OTTs mediante os relatórios gerados a partir do acompanhamento do Sindicato no Sistema de Distritamento (SD).
O Sindicato desde o início, quando ainda era uma associação, preza pela organização da categoria, pois entende que uma base organizada é o poder para lutar contra qualquer que seja a investida. E entende que a base precisa ser ouvida, independente das ideias divergentes, em busca de um bem maior, mantendo-se sempre o respeito ao outro.
Algumas das gestões que estiveram à frente do Sindicato trabalharam com força e garra até mesmo sofrendo retaliações por parte da empresa, como demissão, e outras para que o Sindicato chegasse até aqui, outras que já encontraram a trilha ser seguida deixaram a desejar com suas formas de gerenciar. Muitos sofreram perdas severas para que hoje o Sindicato existisse e os trabalhadores tivessem um representante que lute por eles e com eles.
Gestões vieram, gestões se foram e o Sindicato permanece à disposição da categoria na luta constante e incansável por dias melhores, manutenção de direitos alcançados às custas de muita luta e a obtenção de outros direitos, em especial daqueles que iniciaram essa história e destes que hoje estão na direção do SINTECT-MA, para continuarem se mantendo firmes frente aos ataques sofridos e dos que virão, diante do quadro em que a empresa se encontra nestes dias.
Existe uma causa que sempre deve estar acima de qualquer ideologia política, partidária e divergências de opinião e pensamento, e ela é a causa dos trabalhadores, o bem-estar dos trabalhadores, e essa é a voz que não podemos permitir que seja calada.

Diretoria colegiada do SINTECT-MA